quinta-feira, 21 de março de 2019

Estamos no Diário Região Sul


O projeto «Lusco-Fusco», liderado pela cooperativa ECOS e integrado na 7.ª edição do Programa Escolhas, vai contribuir para a inclusão de crianças e jovens das comunidades ciganas de Faro.
A Cooperativa ECOS, o Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, a delegação regional do IPDJ, a Câmara Municipal de Faro, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Faro e a associação Grupo de Ajuda a Toxicodependentes juntaram técnicos, professores, responsáveis das várias entidades e beneficiários na sessão de lançamento do projeto, realizada na passada segunda-feira.
O projeto, que terá a duração de 22 meses, integra-se no âmbito do Programa Escolhas, financiado pelo governo e pelo Fundo Social Europeu, e tem como principal objetivo “contribuir para a inclusão de crianças e jovens das comunidades ciganas do concelho de Faro”.
O projeto surge no seguimento dos projetos «CRIA», «RECRIA» e «FLICC», promovidos até ao passado ano pela AAPACDM.
Trabalhar na promoção do direito à educação, através de atividades que visam a redução do absentismo e a promoção do sucesso escolar de crianças e jovens da comunidade cigana, e na promoção da participação cívica, da cidadania ativa, do diálogo intercultural e da aceitação mútua entre crianças e jovens ciganas e não-ciganas são os principais objetivos.
De acordo com a ECOS, continua a verificar-se “um profundo fosso entre as condições de vida de muitas pessoas ciganas, quando comparadas com os restantes cidadãos portugueses”.
A população cigana no Algarve é a quinta maior em Portugal (2614), sendo o concelho de Faro um dos dez a nível nacional com maior número de residentes ciganos (559).
Os participantes diretos do projeto são crianças e jovens, dos 6 aos 18 anos, de etnia cigana, residentes na área territorial de intervenção do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, com especial enfoque nas comunidades/acampamentos do Cerro do Bruxo, Lejana, Sítio do Escuro, Falfosa, Cerro do Guilhim e Gorjões.
Estas crianças e jovens “vivem em condições de pobreza extrema, em núcleos habitacionais com poucas condições”, em cerca de 205 agregados familiares, que em parte correspondem aos 152 beneficiários do RSI.
“Os familiares destas crianças e jovens têm níveis de escolarização muito baixos e níveis de analfabetismo e inumeracia muito elevados, não tendo condições para apoiar os seus educandos a estudar e evoluir academicamente”, assinala a ECOS.
Apesar do trabalho desenvolvido, tanto pela escola como por anteriores projetos do Programa Escolhas, as taxas de absentismo, insucesso e abandono escolar precoce de crianças e jovens ciganos são ainda “bastante elevadas”, tal como é patente “a fraca participação cívica e cidadania ativa por parte das comunidades ciganas, bem como a segregação cultural e permanência de estereótipos culturais e intolerância mútua entre ciganos e não-ciganos”.
Ao nível da educação, o projeto pretende encontrar soluções alternativas para inverter a situação atual, combatendo as taxas de absentismo elevadas e a inexistência de competências adquiridas ao nível da creche e do pré-escolar, que em conjunto com a falta de estímulos familiares para a leitura e a escrita geram “grandes dificuldades nos primeiros anos de escolaridade”, que se repercutem no insucesso escolar persistente a partir do 4.º ano.
Neste sentido, o projeto «Lusco-Fusco» propõe a realização de atividades de mobilização para a Escola («Flautista Mágico»), o trabalho dentro da escola, em par pedagógico com o professor de apoio, como forma a combater o insucesso escolar, recorrendo a metodologias de alfabetização e numeracia inclusiva («Altamente») e estratégias de promoção do sucesso e combate ao absentismo, através da mediação Escola-Famílias e do encaminhamento para respostas adequadas sempre que necessário.
Ao nível da dinamização comunitária, participação e cidadania, pretende-se promover a participação cívica e a cidadania ativa e o diálogo intercultural e a aceitação mútua entre crianças e jovens ciganas e não-ciganas, recorrendo a dinâmicas de grupo, animação de recreios, jogos, artes e desporto.
O projeto contará ainda com assembleias de jovens e a dinamização de ações entre pares ou dirigidas à comunidade em geral, de forma a combater estereótipos e a promover o empoderamento. Nas férias, haverá a descoberta de outros cenários do concelho em colónias partilhadas com crianças de outros bairros e escolas.
Está também prevista a dinamização de sessões de caráter formativo ou informativo, dirigidas a agentes educativos, técnicos e auxiliares, a familiares ou à população em geral.

Nenhum comentário:

Postar um comentário